Tags

, , ,

Em fevereiro deste ano, através do meu amigo e mestre de Taekwondo Ricardo Andrade, tive a oportunidade de ter a minha primeira aula de bonsai com o grande bonsaísta – e agora também grande amigo – Cláudio Ratto (falarei mais sobre esta história num post futuro). Lá pelos meados de abril, Cláudio Ratto deu a ideia de fazermos uma visita ao grande mestre OSAMU HIDAKA, que reside em Atibaia, para que pudéssemos conhecer o seu trabalho único e para que também pudéssemos visitar outras figuras importantes no cenário do bonsai nacional, como o ceramista Shugo Izumi – que possui “somente” trinta e sete anos de experiência na arte da cerâmica! –  e a bonsaísta Regina Suzuki.

Nos meses que se seguiram ao surgimento desta ideia o mestre Ratto manteve contato com a esposa do mestre Hidaka, dona Elisa, para que pudéssemos escolher a melhor data da viagem. Devido aos problemas de saúde do mestre, ficamos sem saber se conseguiríamos realmente encontrá-lo para fazermos a tão esperada visita. No final de Maio combinamos que a viagem seria realizada no final de Junho, quando ligaríamos para a dona Elisa novamente para saber se o mestre poderia nos receber. Com duas semanas de antecedência e com uma grande ansiedade, a viagem foi finalmente marcada para o dia 29 de Junho, sábado, saída as quatro horas da manhã.

  • PRIMEIRO DIA

UMA PEQUENA SURPRESA

Sábado, no horário combinado, parte da equipe se reuniu e começamos a viagem.  Viajamos em dois carros. Em um dos carros, Eu (Rafael Toscano, prazer!), Cláudio Ratto e Ângelo. No segundo, Ricardo Andrade e Adriano Oliveira acompanhados de suas esposas, Karina Couzemenco e Flávia, respectivamente. As surpresas e emoções já começaram na primeira parada para o café-da-manhã na Serra das Araras: algumas semanas antes, Ricardo deu a ideia da equipe criar uma camisa para o time e presentearmos Cláudio Ratto. Claro que tudo foi feito sem ele saber! Ricardo mandou confeccionar as camisas e levou-as escondidas em seu carro. No momento do café-da-manhã, enquanto Ratto conversava com a Karina e a Flávia, fomos ao banheiro e trocamos rapidamente de camisa. Saímos todos juntos e revelamos a surpresa. Ratto demorou a acreditar, mas ficou feliz com a homenagem.

Foto da equipe com a camisa, em Atibaia, no sítio do mestre Hidaka. No detalhe os dizeres "Ratto's Bonsai Team".

Foto da equipe com a camisa, em Atibaia, no sítio do mestre Hidaka. No detalhe os dizeres “Ratto’s Bonsai Team”. Da esquerda para a direita: Ângelo, Cláudio Ratto, Ricardo Andrade, Rafael Toscano e Adriano.

CACTOLÂNDIA

Alguns dos cactos da Cactolândia. Um local bem agradável e com preços bem accessíveis.

Alguns dos cactos da Cactolândia. Um local bem agradável e com preços bem acessíveis.

                O primeiro lugar visitado foi a Cactolândia. Fizemos uma visita rápida à loja que fica ainda na estrada, num local próximo à Atibaia. Lá cada um comprou alguns cactos e algumas plantas “suculentas”. O lugar tem muitas plantas bonitas e todos ficaram maravilhados com a grande diversidade de cactos, o que faz com que seja quase impossível sair de lá de mãos vazias! Lá encontramos materiais de diversos preços, desde suculentas de dois reais a cactos gigantes de cinco mil reais.

Além do material a venda, Ratto nos mostrou algumas espécies que podiam ser encontradas plantadas no chão, como Pinheiros Negros e Cerejeiras. O lugar todo é muito bonito!

PARADA PARA O ALMOÇO

Antes de partirmos para a casa do mestre Hidaka, decidimos procurar algum restaurante para almoçarmos em Atibaia. Após alguns minutos perdidos perguntando aos transeuntes sobre algum restaurante bom na região, encontramos um chamado Oásis.

Almoço no restaurante Oasis

Karina, Ricardo, Flávia, Adriano, Cláudio Ratto, Ângelo e eu.

Parte do jardim do restaurante Oasis

Parte do jardim do restaurante Oasis

Oasis é um restaurante self-service em Atibaia que possui um ambiente muito agradável, com um jardim muito bem cuidado e preços muito acessíveis quando comparados aos restaurantes do Rio. Comemos sem pressa e logo em seguida partimos para a casa do mestre Hidaka.

O MOMENTO TÃO AGUARDADO – VISITA AO MESTRE OSAMU HIDAKA

Meio dia. Todos estavam ansiosos para encontrar o mestre. Sabíamos que aquele momento era muito importante e que deveríamos aproveitar cada minuto, ouvir cada palavra, apreciar cada exemplar. Paramos o carro em frente a casa e fomos recebidos por uma senhora muito simpática e alegre, a dona Elisa. Perguntamos se o mestre estava bem e se ele poderia mesmo nos receber naquele momento. Ela afirmou que sim e nos conduziu até a sala.

Hidaka encontrava-se sentado, descansando. Eu, que nunca havia encontrado o mestre, fiquei um tanto quanto apreensivo aguardando a sua reação. Não sabia como ele reagiria a todas aquelas pessoas ali na sua frente, tirando-lhe o sossego. Sua resposta veio logo no primeiro minuto: um sorriso simpático em resposta a cada cumprimento, seguido de um caloroso “Hai”. Logo após as apresentações feitas por Ratto, o mestre ainda brincou e fez piada, fazendo com que todos rissemos. Cada um de nós levou um livro com a biografia do mestre para que ele autografasse, caso fosse possível. Ele o fez com muito carinho e sempre demonstrando bom humor.

Mestre Hidaka autografando um dos livros  com sua biografia.

Mestre Hidaka autografando um dos livros com sua biografia.

Após autografar nossos livros, Hidaka pediu para que todos fossem até a varanda, onde poderíamos conversar melhor. Conversamos por mais alguns minutos sobre a viagem e sobre, claro, BONSAI, até que o mestre pediu a Ratto que nos mostrasse a sua plantação e os seus trabalhos. Liderados por Cláudio Ratto, tivemos a oportunidade de conhecer diversos pinheiros negros do mestre, assim como muitas outras plantas de diversas espécies: piracantas, acers, azaleias, jarmins e muitos outros.

Uma pequena parte do acervo do mestre Hidaka.

Uma pequena parte do acervo do mestre Hidaka.

Da esquerda para a direita, de cima para baixo: Cláudio Ratto, eu, Adriano, Dona Elisa, Ângelo, Flávia, Ricardo Andrade, Osamu Hidaka e Karina.

Da esquerda para a direita, de cima para baixo: Cláudio Ratto, eu, Adriano, Dona Elisa, Ângelo, Flávia, Ricardo Andrade, Osamu Hidaka e Karina.

Todos compraram alguma planta com o trabalho do mestre. Separávamos cada uma que queríamos e lhe mostrávamos, para que ele pudesse avaliar e dizer o seu preço. Eu, particularmente, queria muito um pinheiro negro do mestre e me apaixonei especificamente pelo pinheiro da foto abaixo. Quando levei o trabalho até o mestre ele disse a sua famosa frase sobre o preço, com muito bom humor: “Esse ardido né?”. Fiquei muito emocionado pela oportunidade única pra mim de ter um trabalho tão bonito realizado pelo mestre.

Mestre Hidaka, Eu e o pinheiro negro que tive a honra de comprar do mestre.

Mestre Hidaka, Eu e o pinheiro negro que tive a honra de comprar do mestre.

Após terminada a visita, arrumamos o carro com as caixas e fomos direto para a nossa próxima parada: a casa do ceramista Shugo Izumi.

VISITA AO MESTRE CERAMISTA SHUGO IZUMI

Casa do mestre Shugo Izumi.

Casa do mestre Shugo Izumi.

Por volta das 16 horas chegamos à casa do mestre Shugo Izumi. Fomos muito bem recebidos por ele e sua esposa. Ficamos maravilhados com a variedade e a qualidade dos trabalhos do mestre: desde vasos para bonsai de diversos tamanhos, a jogos de pratos e xícaras. Ficamos alguns minutos escolhendo o que levar (e mais uma vez foi praticamente impossível sair de lá sem comprar nada!) e, depois, assistimos uma demonstração feita pelo mestre de como se fazer um vaso. Também ficamos encantados com a habilidade e a beleza do trabalho feito pelo seu filho, Rafael Izumi.

Mestre Shugo Izumi fazendo uma demonstração.

Mestre Shugo Izumi fazendo uma demonstração.

Ver um mestre do ofício e da arte com tamanha experiência trabalhando faz com que qualquer um pense que o trabalho é muito fácil. E isso não acontece somente com a cerâmica, mas com qualquer tipo de arte (quantas vezes ouvimos as pessoas falarem “como parece fácil!”?).

Após esta visita fomos jantar e assim terminou o primeiro dia da viagem.

Vendo como não é nada fácil fazer um vaso!

Vendo como não é nada fácil fazer um vaso!

  • SEGUNDO DIA

VISITA À REGINA SUZUKI

No domingo, antes do almoço, procuramos o viveiro da Regina Suzuki. Ela também nos recebeu com muita simpatia. Desta vez a chuva nos castigou um pouco, mas nosso ânimo era tão grande e a Regina foi tão paciente e educada que não desanimamos: olhamos todas as suas plantas, uma por uma, até mesmo sob forte chuva em alguns momentos.

Seu viveiro é enorme e, assim como o do mestre Hidaka, possui plantas de diversas espécies, tamanhos e estágios de trabalho. Até mesmo algumas pessoas que falaram que não comprariam mais nada não resistiram e acabaram – para loucura das suas esposas – comprando muito mais! Saímos de lá com ambos os carros completamente abarrotados.

Algumas plantas da Regina e, no detalhe, um Acer maravilhoso da Regina.

Algumas plantas da Regina e, no detalhe, um Acer maravilhoso da Regina.

Foto tirada da parte de cima da coleção da Regina.

Foto tirada da parte de cima da coleção da Regina.

Cláudio Ratto arrumando o carro do Ângelo para a viagem de volta.

Cláudio Ratto arrumando o carro do Ângelo para a viagem de volta.

DESPEDIDA – MESTRE HIDAKA

Após mais um almoço no restaurante Oásis, fizemos uma passagem rápida na casa do mestre Hidaka. Tomamos um chá muito saboroso feito pela dona Elisa, conversamos mais um pouco sobre bonsais e depois, sob uma chuva branda, voltamos para o Rio de Janeiro.

  • CONSIDERAÇÕES FINAIS

Esta viagem, apesar de curta, foi muito importante para todos nós. Foi a primeira vez que tive a oportunidade de encontrar e apreciar o trabalho de artistas tão bons e importantes para o bonsai no Brasil como a Regina Sukuki, Izume e, claro, o mestre Hidaka. Espero que viagens como essas aconteçam muitas e muitas vezes e que possamos sempre nos encantar com trabalhos de tão alto nível!

Fomos muito bem recebidos por todos e, o que mais me chamou a atenção foi a humildade de cada um. Apesar dos muitos anos a mais de experiência em relação a mim, todos foram muito pacientes e me trataram com grande cortesia. Só a presença do mestre Hidaka já foi algo muito especial e único. Emocionei-me em diversos momentos e aprendi muito.

Gostaria de agradecer a Cláudio Ratto por ter proporcionado esta viagem maravilhosa e por sempre sanar – com muita paciência – toda e qualquer dúvida que tivemos durante toda a viagem. Sem o seu amor pelo bonsai talvez não tivéssemos a oportunidade de conhecer pessoas tão especiais.

Gostaria também de agradecer a todos que fizeram essa maravilhosa viagem e que me proporcionaram momentos muito divertidos: Ângelo Viggiano, Ricardo Andrade, Karina Couzemenco, Adriano Oliveira e Flávia Giesbrecht.

Grande abraço e até o próximo post!

Agora, Agosto, vou semear 5000 sementes, mas tem que esperar 40 anos…

Osamu Hidaka

Anúncios